Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Eng.º Menéres Manso

Mensagens recentes

Atlantis, Atlântida

Atlantis, Atlântida ©Manuel Cardoso
(...)
Oh mar! oh mito! oh sol! oh largo lecho!
Y sé por qué te amo. Sé que somos muy viejos.
Que ambos nos conocemos desde siglos.
(...)
Jorge Luís Borges


Obras no centro da cidade de Huelva, parque de estacionamento pago, calor e barulho ao abrir do vidro, sol fortíssimo a fustigar-nos como se não devêssemos estar ali, como se nos quisesse corrigir um equívoco na nossa rota. Fechámos o carro, pusemos chapéu de palha e óculos escuros, demos alguns passos no pavimento quente e entrámos, à procura de sombra e abrigo, no Café Central. O passarmos essa porta, que empurráramos, foi um súbito e inesperado virar duma página num livro de Borges. Enquanto a Mariana foi lavar as mãos, um homem ao balcão tirou-nos cafés de máquina que nos serviu nuns copos de vidro grosso e, ao pousá-los, fitou-me com ar de velho conhecido. Calças de fazenda, camisa branca e colete, cabelo grisalho com um leve ondulado dum quadro de El Greco – ou seria dum mural de Creta? – mãos segura…

OS TRASGOS DO SENHOR ENGENHEIRO

- E ainda há a questão dos trasgos, senhor engenheiro! - Trasgos, que trasgos?! - Então, dizem que ainda há trasgos a viver aí pró rio… - Trasgos, que é isso, trasgos?! - Ora, senhor engenheiro, são trasgos! O homem olhava fixamente para o Rui, desarmado perante aquela dificuldade. Então o senhor engenheiro não haveria de saber o que eram trasgos?! Afinal, com um curso de universidade, a andar ali pela aldeia já há tantos anos e não sabia o que eram os trasgos?! Tirou o chapéu, semicerrou os olhos, ajeitou a melena que se lhe ensopava com o suor, sentiu uma breve aragem a soprar sobre a humidade e a arrefecer-lhe a testa. Agradável. Voltou a pô-lo e olhou para o rio, lá muito ao fundo, correndo miúdo entre os pedregulhos, como se não existisse. Não se ouvia um ruído de água, só o vento restolhando nas giestas e silvas, numa ou noutra amendoeira de verde empoeirado que mal sobrevivia naqueles tons torrados de Agosto. O Rui pousou a mão numa rocha quente, de que se destacaram alguns p…

CONCERTO EM ACORDES DE NONA

Foi publicado este poema "Concerto em Acordes de Nona" na Antologia de Autores Trasmontanos, A Terra de Duas Línguas, volume II, 2013. Foi escrito já há três anos. Aqui se republica. Nessa antologia tem uma gralha significativa: o título apareceu com uma palavra a mais, "sinfonia", que estraga muito... uma coisa é um acorde de nona, um acorde muito especial (foi o professor Joel Canhão quem me ensinou o que eram, o que são, acordes de nona, num dos seus repentes de inspiração numa aula de música no colégio, há 43 anos, quando atinava com o tom duma coisa que estávamos a ensaiar e se deixou levar pelo teclado, como lhe acontecia tantas vezes!), outra coisa é a nona sinfonia, seja a de Beethoven seja a de Mahler ou outra, que aqui não vêm para o caso, de modo algum!



CONCERTO EM ACORDES DE NONA

VAI COMEÇAR

Libreto na mão.
Vozes, tosses, cadeiras,
Anarquia de sons.
Batuta.
Breve silêncio.
Nota contínua, emoção.
Arrebatamento, sentimento.
Tristeza, alegria, as duas faces de um po…